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  • Foto do escritorPr. Bertiê Magalhães

AVIVA, Ó SENHOR, A TUA OBRA



Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi; aviva, ó Senhor a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na ira lembra-te da misericórdia.

Habacuque 3.12


Introdução

“Aviva ó Senhor a tua Obra”. Este clamor do profeta Habacuque continua ecoando pelos séculos até aos dias de hoje. Na história da igreja já chegaram os tempos de mornidão e esfriamento do amor, quando parte do povo de Deus nem parece mais ser aquela: “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus a fim de proclamar as virtudes daquele que os tirou das trevas para sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9).


1. A historia do avivamento da Igreja Primitiva

A palavra cristianismo veio de Cristo, que fundou este movimento nos anos 30/33 da chamada Era Cristã. Jesus desenvolveu um movimento vigoroso, poderoso, abrangente e ousado (MT 11.5).

a) A fundação da Igreja de Cristo. Jesus fundou o seu colégio apostólico com doze homens, os quais foram instruídos a prosseguir o projeto divino após sua morte. O Mestre deu-lhes poder para cumprir a missão (Mt 10.1-42). Organizou também uma comissão com setenta discípulos, que saíam de dois em dois, indo de cidade em cidade, em todos os lugares aonde Ele teria de ir (Lc 10.1-24). Eles receberam do próprio Cristo as instruções a respeito da missão a ser cumprida (Jo 13.31-38; 14.1-31; 15.1-27; 16.1-33). Em nossos dias as instruções são as mesmas do evangelho puro; o evangelho que salva, cura, batiza com o Espírito Santo e leva o pecador remido para o céu.

b) A Igreja que aguardou a promessa do revestimento de poder. Estando Jesus com os discípulos, ordenou-lhes dizendo que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem para receber a virtude do Espírito Santo, o qual havia de vir sobre eles para testemunhar ao mundo inteiro, iniciando em Jerusalém, em toda Judéia, Samaria e até os confins da terra (At 1.4,8). Precisamos tomar como verdade absoluta o ensino da busca do batismo com o Espírito Santo que capacita o cristão a cumprir a sua missão no reino de Deus (Mt 3.11).

c) O segredo do avivamento da Igreja: A união. Os apóstolos, os discípulos e parte dos irmãos estavam no cenáculo no dia de pentecostes quando veio sobre eles o Espírito Santo e os encheu de poder e de graça (At 2.1-4). Com a Igreja inaugurada, o fogo do poder, o entusiasmo, a fé e a ousadia tomaram conta de todos os irmãos e eles começaram a desempenhar a missão na unção do Espírito Santo: “E todos perseveravam na doutrina dos apóstolos na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.42). A oração e a união são as chaves do avivamento. Para que haja grandes avivamentos todos os membros do corpo de Cristo devem viver e participar ativamente dos programas de oração e não em reuniões isoladas. É a oração, combinada com a união, que promove o verdadeiro avivamento.


2. A oração do profeta Habacuque

O profeta viveu com seus contemporâneos Israelitas mergulhados em seus pecados e o Santo Deus estava em silêncio como se tudo estivesse em perfeita harmonia, sem proibi-los. Mas chegou um momento em que Jeová, pessoalmente, lhes declarou tudo.

a) O silêncio de Deus estava baseado no arrependimento. O rei Josias rasgou o seu coração e chorou pelos males que haveriam de vir sobre Israel e durante o seu governo Deus poupou o seu reinado. (2 Rs 22.18-20). O compromisso de Deus é pessoal, mas quando se trata de governo tem muito a ver com a liderança. Que a liderança busque em Deus sabedoria e, com arrependimento, clame ao Senhor pelo rebanho e por avivamento.

b) Deus ordenou que Habacuque escrevesse uma mensagem. Na visão que deu a Habacuque a mensagem estava bem legível: “Mas o justo pela sua fé viverá” (Hc 2.4). Deus não age só na ira, Ele é misericordioso, mesmo entregando seu povo nas mãos dos ímpios caldeus, o remanescente justo seria poupado e voltaria posteriormente à terra de seus pais.

c) O justo viverá pela sua fé. Nos dias atuais o mundo cristão passa por momentos de apostasia (Ap 3.14-22), retratada pela Igreja de Laodicéia. São desvios doutrinários; confusão litúrgica; um novo paradigma religioso, distanciado do evangelho da verdade e que ensina um evangelho segundo o interesse ganancioso e materialista. Mas o justo viverá pela fé, e, assim fazendo, continua a viver espiritualmente cada vez mais rico, fugindo do modelo “Laodicéia”. Paulo enfatizou este ensino na carta aos Romanos e aos Gálatas, como doutrina da justificação (Rm 1.17; Gl 3.11).

A Igreja não está esperando dias melhores nesta terra angustiada e com prenúncio do fim dos tempos. Precisamos ficar firmes no propósito da santíssima fé em Cristo (Ap 2.10; 3.10), não esquecendo de tomar, por exemplo, uma vida de oração permanente e vigorosa.


3. Avivar a obra é reviver em cristo

O conceito de avivamento também é: retornar ao Senhor, humilhar-se e começar a ter uma vida purificada, produzindo o fruto do Espírito Santo (Gl 5.22).

a) Avivar e deixar as obras da carne. Avivamento não é gritaria e nem sessão de exorcismo. O apóstolo Paulo recomendou aos efésios que “...toda gritaria seja tirada do meio de vós”, e recomendou também a maneira correta do avivamento: “enchei-vos do Espírito Santo” (Ef 5.18). Isto significa que a plenitude do Espírito Santo depende do modo como o crente corresponde à graça que lhe é dada, para viver em santificação. O cristão que vive o genuíno aviamento está fundamentado na palavra (Ef 5.19,20)

b) Avivar é produzir o fruto do Espírito. O crente cheio do Espírito Santo está apto a vencer as obras da carne à medida que permite ao Espírito dirigir e influenciar sua vida. Só assim ele vence o pecado, especialmente as obras da carne, conforme a lista apresentada pelo apóstolo Paulo (Gl 5.17-21).

Assim fazendo o crente estará apto para produzir o fruto do Espírito apresentado em Gálatas 5.22, o qual é divido em nove partes que forma o todo. Os dons do Espírito Santo também são nove, conforme descrito na primeira carta aos Coríntios (12.4-11). Isto dá legitimidade ao cristão avivado. Vejamos como está nossa situação de cristão no século 21.

c) Avivar é ressuscitar da morte espiritual. O Apocalipse relata: “Lembra-te onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras, quando não brevemente virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” (Ap 2.5). Quando o crente se faz surdo, cego e insensível ao Espírito Santo, ele está morto ou em coma espiritual (Ap 2.7). A Igreja só poderá vencer a mornidão quando estiver apta a fazer exame de si mesma e, constatar, com sinceridade, o seu estado espiritual (1 Co 11.28,31). É preciso ter um arrependimento sincero e retornar decididamente ao primeiro amor (Ap 2.5); à verdade, a pureza e ao poder da Palavra de Deus (Jo 15.3).


4. A atualidade da mensagem de Habacuque

Habacuque sabia que o povo de Deus havia pecado e que, consequentemente, o juízo divino seria aplicado. O Profeta não conseguia ver a situação dos Israelitas no pecado e o silêncio de um Deus tão santo e puro de olhos a contemplar tantos males de Judá.

a) O profeta pede a Deus que manifeste o seu poder entre o povo. O castigo seria inevitável. O profeta estava ciente que o povo não subsistiria se o Senhor não interviesse derramando sua graça e seu Espírito. Somente assim haveria a verdadeira vida espiritual entre os fiéis (Hc 3.2). Os desobedientes, os infiéis, os carnais, não subsistirão. Deus tem constantemente avisado a Igreja que o Espírito Santo nos últimos dias vai balançar a figueira, e os frutos podres vão cair. “Cuidado! Crente com vida de ímpio; conserta-te, porque o juízo de Deus virá!”

b) As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos (Lm 3.22). A bíblia se refere a um Deus misericordioso, amoroso, terno, gracioso. O que nós precisamos entender é que o amor de Deus exige que sua justiça seja aplicada (Hb 12.5-7,11). A correção divina é o caminho de buscar o filho de volta à casa paterna, se a disciplina não surtir o efeito desejado seremos considerados bastardos e não filhos. Então a justiça é um ato de misericórdia divina. O Senhor é bom e misericordioso com aqueles que nEle esperam com humildade e arrependimento (Sl 136.1).

c) O caminho do avivamento.

1. Oração (Ed 10.1). O sacerdote, homens, mulheres e crianças; todos choravam perante o Senhor.

2. Arrependimento (2 Co 7.10). A tristeza, segundo Deus, produz arrependimento.

3. Humilhar-se perante o Senhor (Tg 4.10).

4. Chegar a Deus, limpar a mãos e purificar o coração (Tg 4.8).

5. Sujeitar ao Senhor Deus e resistir ao diabo. (Tg 4.7).

6. Rasgar o coração, e não as vestes; converter ao Senhor nosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e se arrepender do mal (Jl 2.13).


Conclusão

As decisões de Deus são atos de soberania dEle. Jeová permitiu que uma nação mais ímpia do que o seu povo fosse o instrumento de castigo. Quando morreu o rei Josias, os seus sucessores puderam contemplar o cumprimento das profecias de Habacuque. Judá foi invadida e conquistada pelos caldeus, e o profeta participou em parte desse acontecimento catastrófico. A causa do clamor deste preocupado profeta estava em suplicar ao Senhor a misericórdia para que a nação não fosse totalmente destruída. Deus espera líderes como Josias que o busquem de todo coração; também espera como Habacuque, que se preocupem com a Igreja do Senhor dos últimos dias.

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